O caminho para chegar às seis Major Marathons passa agora por Chicago. Foram mais de quatro meses de preparação, foco e resiliência para chegar em condições a esta 5ª Major que decorre junto ao enorme Lago Michigan. A cidade é bastante cosmopolita sobretudo no centro, na zona mais comercial chamada The Magnificent Mile repleta de lojas elegantes e gente ávida de gastar dólares com abundância.
A contrastar com este luxo, a cidade vive a braços com a droga e os sem abrigo, algo que é impossível ficar indiferente. Talvez agora tenha compreendido melhor as intenções do presidente Trump quando quis mandar tropas para ajudar a resolver estes problemas. É arrepiante ver drogados, supostamente vitimas do Fenantil, a bambolear pelas ruas, corpos vergados, quase em transe. Assim como deparar com outros desgraçados a dormir nas quentes carruagens dos comboios para fugir ao frio das ruas.
Apesar da viagem não ter um propósito turístico, havia que disfrutar do tempo disponível para conhecer um pouco da cidade. O edifício Chicago 360 é um bom ponto de partida. Do alto do seu 94º andar consegue-se ficar com um excelente visão da cidade.
O Rio Chicago divide harmoniosamente a cidade proporcionando, ao longo das suas margens, percursos pedestres e vários espaço de lazer aliviando assim o "peso" dos arranha-céus na paisagem citadina.
Sempre que me encontro nas feiras ligadas às maratonas, fico impressionado com a diversidade das marcas expostas e sobretudo a quantidade de pessoas que compram desenfreadamente. De facto, isto de participar numa prova destas não é para todos e marcar a diferença, de preferência com o material oficial da prova, é quase obrigatório. Resisti estoicamente!
Já com o dorsal na mão, o objetivo agora era relaxar até ao dia da prova, passear tranquilamente e correr um pouco no Grant Park para manter a forma. Mas, ir a Chicago e não assistir a um jogo dos míticos Bulls seria uma falha imperdoável. Em memória dos bons velhos tempos em que, aos domingos, assistia aos jogos da NBA em canal aberto, decidi tirar bilhete.
Estes jogos são pensados ao pormenor em função do retorno que trazem ao clube e aos patrocinadores. O dinamismo do jogo é gerido ao segundo, a intervenção dos adeptos é cívica, não se ouve ninguém a insultar a mãe do arbitro nas decisões desfavoráveis, sente-se um ambiente de convívio e socialização. Um palco para atletas e artistas proporcionarem aos adeptos um verdadeiro espetáculo de basquetebol, dança, música. Precisávamos desta mística por cá...!
Satisfeito com a vitória do Bulls regressamos ao hotel. O Homewood Suites by Hilton ficava perto da partida o que me permitiu gerir tranquilamente o tempo disponível desde o pequeno almoço até à entrada, na minha hora de partida, contando com tempo extra para os habituais imprevistos que só nós entendemos.
12/10/2025 Após ser cantado ao vivo o hino americano, algo que me faz sentir momentaneamente americano, dá-se início à prova. Eu saí meia hora após a elite. Sempre tentando fazer uma gestão equilibrada das forças, a corrida foi fluindo bem até aos 32km. Daí para a frente o consumo aumentou e o ponteiro do combustível rapidamente aproximou-se do zero. Acabei com 3:42:00 com o tanque vazio e completamente enjoado com a quantidade de gel ingerida ao longo dos 42km. O tempo estava magnifico, o famoso vento deu tréguas, a temperatura um pouco quente mas que em nada afetou a performance.
Apesar da forte vontade de celebrar com umas cervejas, o organismo ainda estava a processar toda a carga de carboidratos dos últimos dias e não aceitou exageros. Mesmo assim celebramos a participação de todo o grupo Endeavor num Burger Bar perto do hotel.
Antes de regressar ao aeroporto ainda deu tempo para uma visita ao Cloud Gate, mais conhecido por “The Bean”, uma escultura em aço inoxidável polido, uma verdadeiro espelho que reflete imagens distorcidas mas divertidas.































































