Após algumas incursões cá pela Velha Europa, surge já em pleno ano 2000, a hipótese de viajar até Africa. Esta primeira experiência ao Sul, teve um cariz marcadamente profissional. Trabalhando na altura directamente com o transporte de madeiras exóticas africanas, há muito tempo que vinha despertando em mim, a vontade de conhecer desde a origem, todo este processo de abate, transporte, selecção e embarque.
Surge assim a hipótese de viajar até aos Camarões e Gabão, países predominantemente exportadores de madeira, na companhia de um amigo e expert no negócio, viajante regular para países africanos. Antes de partir e como era obrigatória ter a vacina da febre amarela, recorri à Consulta do Viajante onde recebi também as informações essenciais a nivel de saúde uma vez que se trata de países de risco. Vacinado e prevenido com o pack de sobrevivência para o que der e vier - Mephoquin, Imodium, Ultralevur - partimos para Douala com a Air France via Paris.
Após 6 horas de vôo, aterramos am Douala e a sensação à chegada, não obstante o que já tinha lido, foi impressionante pois as condições calor e humidade eram sufocantes. Após aguardamos no aeroporto cerca de 1 hora até obter o visto de entrada (tínhamos optado por não o fazer na Europa), acabamos por seguir para o hotel não sem antes negociarmos ao cêntimo, um taxi para nos levar. Por esta altura já estava completamente transpirado... Estas condições atmosféricas são completamente atípicas comparativamente com aquelas a que estamos habituados cá pela Europa.

À entrada da cidade era já visível a marca DELMAS, uma das mais reconhecidas companhias de navegação a operar na Costa Ocidental de Africa.
Douala é uma cidade de contrastes, a pobreza das gentes que circula nas ruas choca com a opulência daquelas que encontrávamos nos magníficos restaurantes franceses que frequentamos; o negro que vende água ou coca-cola a copo com o bem sucedido compatriota de pasta na mão, relógio dourado e telemóvel à cintura; os cigarros podem ser comprados à unidade nos muitos quiosques de tracção humana onde marcas de fabrico local disputavam as prateleiras com outras reconhecidamente internacionais de origem duvidosa.
Douala é uma cidade de contrastes, a pobreza das gentes que circula nas ruas choca com a opulência daquelas que encontrávamos nos magníficos restaurantes franceses que frequentamos; o negro que vende água ou coca-cola a copo com o bem sucedido compatriota de pasta na mão, relógio dourado e telemóvel à cintura; os cigarros podem ser comprados à unidade nos muitos quiosques de tracção humana onde marcas de fabrico local disputavam as prateleiras com outras reconhecidamente internacionais de origem duvidosa.
A vida nocturna é surpreendente, é nas discotecas onde acabam por se encontrar todos os extractos sociais quer das gentes locais quer dos estrangeiros que demandam esta cidade em busca de negócio, sobretudo franceses e americanos, estes últimos ligados ao petróleo que até guichets privados têm no aeroporto.
Douala está localizada na confluência do Rio Wouri com o estuário dos Camarões, cujo baptismo se deve à quantidade destes crustáceos que Fernão do Pó, navegador Português, encontrou quando demandou estas terras em 1472. É impressionante cruzar a ponte que une Douala ao município de Bonabéri dado o volume de carros, camiões, motocicletas, pessoas que por lá circulam numa desordem e agitação completa a contrastar com a tranquilidade do nosso taxista privativo.
Correspondendo a um convite, tivemos oportunidade para viajar até Kribi, pequena cidade a Sul, distante 190km de Douala. Fizemo-nos à estrada um Domingo de manhã. Laurent, o nosso choffeur privativo, com um pequeno adiantamento monetário, lá conseguiu na véspera, pagar o seguro e obter a matrícula de um automóvel praticamente "novo" (já com uns milhares de quilometros em cima...) e oferecer-nos uma viagem bem mais confortavel usufruindo este de ar condicionado.
A estrada estava muitas vezes obstruida pela polícia, obrigando abrandar a velocidade, permitindo um controlo visual das autoridades. Num desses postos fomos mesmo obrigados a parar. O militar empunhando a sua pistola metralhadora quis vêr os documentos e apercebendo-se que eramos Portugueses exigiu ... umas latas de sardinhas (até onde chegou a tradição das conservas Portuguesas, imagino que seriam usadas para pagamento de favores). Como era impossível de concretizar lá convencemos o homem com a promessa da próxima... e uns francos para compensar a nossa falha!
Toda a cena até seria engraçada não fosse o facto de se passar numa estrada deserta, sem movimento, e do militar estar com a arma na mão e perdido de bêbado a exemplo de muitos camaroneses que nessa madrugada festejaram até de manhã a surpreendente vitória conseguida pela selecção dos Camarões frente à França, em Paris.
Na companhia do responsável pela agência, deu para perceber como se pode viver e trabalhar com alguma qualidade de vida - boa alimentação, boas praias, tranquilidade, ausência de trânsito ou multidões que se acotovelam, mas inquestionavelmente distantes dos mais elementares bens de consumo que estamos habituados. As beleza das praias e a tranquilidade local, ameçam tornar Kribi, a médio prazo, numa estância balnear massificada, com os inevitaveis prejuízos que daí resultarão para uma área ainda em estado puro!
Os negócios que giram em torno da madeira são vitais para as populações. Sem entrar em análises mais profundas sobre ecossistemas, desflorestação, queimadas, acções ecológicas ou movimentos das ONG’s é efectivamente do trabalho na floresta proporcionado por esta actividade, que sobrevivem...e mal!
Próxima etapa: Gabão.
Próxima etapa: Gabão.






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