Terminal Ferry de Algeciras, 2 horas da tarde. No cais perfilam-se dezenas de veículos aguardar ordem para embarque. Avaliar pela bagagem que a maioria carrega, percebe-se que a Europa é o grande "carrefour" de Marrocos. Desde electrodomésticos a mobílias, de bicicletas a caixotes indecifráveis, tudo embarca. As carências do outro lado do estreito parecem evidentes!
Dada a identidade islâmica moderada e a sua fácil acessibilidade, Marrocos é um destino apetecível, sobretudo para aqueles que de carro ou de moto podem partir à descoberta sem ficar condicionados às organizações turísticas que os afastam da essência, ou seja do convívio diário com as gentes locais. Como viajamos de moto teremos a sorte de manter contacto directo quer com as pessoas quer com o ambiente que nos rodeia.
Percorridos os 900 km que nos separam do Porto, sob chuva persistente e desmoralizadora, eis-nos confortavelmente instalados no "ALCANTARA" da ACCIONA, enquanto um nervoso miudinho ia moldando a expectativa da passagem pela fronteira. A troco de uns euros e ajuda meio confusa de um dos muitos ajudantes, lá cumprimos com relativa celeridade as formalidades na Alfandega, prosseguindo para Chefchaouen.
Pequena e simpática, a cidade tem a particularidade de se destacar pelo azul anil das suas casas. Por entre ruas estreitas e íngremes, havia entradas cuja curiosidade nos impelia a entrar para fotografar mas o intenso cheiro a urina vinda das canalizações mal vedadas rapidamente nos obrigava a sair.
Nesta zona do Rif, o cultivo de droga para consumo interno foi autorizado pelo Reino, logo não é difícil sermos abordados por vendedores de emoções convictos da qualidade do se produto. Não sendo reprovável na perspectiva que lutam por melhorar as suas condições de vida, também é verdade que necessitamos de alguma paciência e descomprometimento para declinar estes convites. Finalmente o Hotel Madrid, típicamente marroquino, acolhe-nos em camas de dossel onde repousamos o corpo enquanto a alma assimila o fervilhar de emoções do primeiro dia.
Visitar Fez é espectacular. Sendo a mais antiga cidade imperial de Marrocos é hoje a 3ª maior do reino mas também capital espiritual e religiosa do pais. A sua Medina, em Fés-el-Bali é também a mais antiga. Esconde cerca de 9500 ruas em formação labirintica, equivalentes a mais de 600 km, albergando perto de 350.000 pessoas. Visita obrigatória sim mas na companhia de um guia.
De visita a uma alcaçaria tomamos consciência das condições precárias de trabalho destes artesões, vivendo entre tinas, peles, lãs e o amoníaco extraído do excremento de pombo. Este adicionado à cal ajuda a suavizar as peles de cabra, carneiro e camelo.
Curioso ver as mulas carregadas, a passar a toda a pressa.Se não estivermos atentos aos avisos dos condutores arriscamo-nos a ser literalmente atropelados. São os unicos meios de transporte de carga no interior da medina.
O choque sensorial com os cheiros, as cores,a azáfama das pessoas que trabalham ou simplesmente circulam é inebriante. É uma experiência fantástica sentir que retrocedemos centenas de anos em termos sociais e comerciais. A Medina revela uma dimensão que é difícil de descrever em palavras mas que seguramente vale a pena experimentar.
Embora o guia nem se desse ao trabalho de saber quais as nossas orientações religiosas, o facto é que nos tirou qualquer ideia de entrar na Mesquita Karaouiyine, cujo nome está relacionado com os refugiados de Kairouan, na Tunísia, que ocuparam o bairro onde esta foi construída. Lamentamos, pois é somente a mais antiga do mundo muçulmano ocidental para além de funcionar como universidade, mas compreendemos. Ficou-nos assim interditado o acesso ao centro espiritual da fé islâmica.
Muitos turistas em grupo cruzam connosco enquanto nós, iamos percorrendo o mais discretamente possível as estreitas ruelas, fugindo do assédio comercial. Por muito que se tente escapar, o guia, como bom marroquino, lá nos vai conduzindo às lojas típicas com intuito de fazermos negócio e ele ganhar a sua comissão. Acabamos por conhecer vestuário típico como a jellaba, a gandoura, o kaftan ou o tarbouch. Eu acabei por comprar uma jellaba a um alegado amigo do Tarik Sektioui (pareceu-me a dada altura todos eram amigos do craque do FCP).
1 comentário:
Belas imagens! Estou buscando informacoes para uma ida proxima ao marrocos e seu site esta bastante interessante! Parabens!
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