Jericoacoara, Brasil

Jericoacoara fica a 4 horas de distância de Fortaleza, mais uma boa meia-hora desde Jijoca, para vencer os 20 Km entre dunas. O alcatrão dá lugar a trilhos de areia enquanto a suspensão do 4x4 nos dá uma massagem radical. Contava-nos a Bete, a nossa guia, que Jericoacoara significa, em linguagem indígena, Jacaré a coaxar ao sol (tal como a roupa a secar ao sol, batida pelo vento) por existir na época uma duna que apresentava essa semelhança. Video promocional de Jericoacoara
Jeri ou se gosta ou se detesta. Provavelmente teria razões para não gostar simplesmente por a ter encontrado desprovida daquela beleza retocada a Photoshop das revistas de viagem. É um facto que os dias não estiveram propriamente soalheiros e o vento soprava tipicamente forte só amainando com o cair da noite e talvez por isso não tivesse sido este o cenário ideal. Outra desilusão ocorre no encontro com a famosa Pedra Furada, em nada se evidenciando às muitas formações rochosas que encontramos na nossa costa algarvia. Por lá é artigo único!
Mas à medida que vamos vivendo Jeri apercebemo-nos como a vida, vivenciada de forma simples pode ter uma qualidade assustadora. Num lugar onde não há telefone, não há Multibanco, só uma pousada tem máquina ATM, as ruas são de areias e só há três para que ninguém se perca, não pode haver stress nem pressas. Aconselham-nos a relaxar e viver nas calmas, jantar cedo e aproveitar para descansar antes de frequentar os barzinhos que abrem tarde. É que muito do pessoal que trabalha nos bares vem de trabalhar nos restaurantes, por isso há que dar tempo...
Parece que retrocedemos no tempo, vive-se um clima hipppie, em harmonia com a natureza, despojados de luxos e futilidades, onde há espaço para pensar e sentirmo-nos nós próprios e não nós a agradar a outros ou a seguir os conceitos (ou preconceitos) da nossa sociedade moderna.
Sim, Jericoacoara fascina! Pela pureza e simplicidade da vida que nos proporciona, facilmente concluímos que quanto mais temos, mais insatisfeitos nos tornamos. Comentava um finlandês que acabara o seu curso e viajava pela América do Sul para conhecer mundo antes de ingressar no mercado de trabalho, que no seu país quem não tivesse um iPod não era ninguém, sinónimo de um estatuto estilizado, enquanto em Jeri esse mesmo iPod não tinha valor nenhum nem seria objecto de status social.
Mas Jeri não se fica por aqui, as suas belas praias extensas e desertas, merecem uma incursão sendo o buggy praticamente o único meio de transporte adaptado e disponível nestas paragens. Percorre-se as praias do litoral - Mangue Seco e Tatajuba até Camocim, escuta-se a lenda da “duna encantada” e degusta-se uns camarões e peixe grelhado escolhidos à beira rio para deleite de todos.
A adrenalina que estes bólides proporcionaram, quer vencendo as dunas quer fugindo às ondas, que a maré já ia subindo no regresso, valem bem os cruzeiros que se pagam.
Segundo os locais, o custo de vida e habitação em Jericoacoara subiram exponencialmente em resultado da promoção turistíca ameaçando, a médio prazo, a sua pureza e genuidade. Mesmo assim a ideia de regresso num futuro próximo ficou registado.

1 comentário:

Anónimo disse...

Olá amigo! muito bom artigo este, adoro as fotos. Obrigado pela partilha. Obrigado também pelo link! Grande abraço