Algodoal fica no Estado do Pará a uns 200km de Belém e umas razoáveis 4 horas de viagem em microônibus, com paragens em Castanhal e Marapanim até chegar a Marudá onde apanhamos a ligação por barco para a ilha de Algodoal. A travessia demora cerca de 30 minutos, ao sabor da ondulação e do incansável ritmo "brega". Quem sofrer de enjoo não terá certamente uma travessia facilitada!
Segundo reza a história, os municipes uniram-se e proibiram a circulação de veículos automovéis, só podemos recorrer à carroça puxada a cavalo para nos conduzir de forma natural e ecológica pela pacata ilha. Sem carro não há alcatrão e portanto não há ruas nem passeios pavimentados, caminha-se pela areia. Afinal não estamos numa ilha?
Embora a energia eléctrica só tenha chegado em 2005, as ruas são mal iluminadas e torna-se dificil caminhar à noite sem lanterna. Vamo-nos auxiliando das luzes ténues das casas para nos orientarmos, se bem que não há grande possibilidade de nos perdermos. Aqui, voltados para o Atlântico, diria que se encontram as praias no seu estado perfeito - calor quanto baste, horizontes sem fim, agua quente do mar, sensação de isolamento e o ambiente bucólico, traduzem a natureza no seu estado mais puro. Com sorte ainda se encontra um barzinho aberto pronto a servir uma cerveja gelada.
A ilha é habitualmente frequentada por grupos de pessoas que buscam descanso ou isolamento mas também pelas que procuram um estado zen. final o que importa é que todos se respeitem e convivam num ambiente tipo peace and love à volta da fogueira mas recorrendo a ervas variadas para alimentar o cachimbo da paz.
Ainda se vêm algumas construções artesanais, sinal que há quem as habita em perfeita simbiose com a natureza, despojados de bens materiais e distantes da toxicidade tecnológica de que somos, hoje, quase inseparáveis.
Regresso a Belém numa van mas parámos em Castanhal onde mudariamos para um microônibus. Aproveito para esticar as pernas e comprar um cigarro avulso. Fumo relaxadamente, quando vejo o meu microônibus a passar-me uma mensagem, cuja profundidade me dá tema de reflexão até ao final da viagem.





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