A pequena aldeia de Ait-Ben-Haddou foi reconhecida há uns anos como Património Mundial da UNESCO. Desde então os cenários naturais envolventes têm servido para filmagens e para dinamizar o turismo. Sabe-se que já existem habitações remodeladas para receber turistas mas espera-se que saibam preservar o património e não o transformem num espaço exclusivo ao turismo massificado. Um ano depois volto à antiga casa de Hamadi El Hoccine, um orgulhoso figurante no filme "O Gladiador" que nos convida para tomar um chá enquanto fala dos seus feitos cinematográficos. Acto premeditado, o nosso grupo leva-lhe alguma roupa e medicamentos para a família.
Quem segue de Ait-Ben-Haddou pelo sul até Marrakech, vai desfrutar da beleza proporcionada pelas montanhas do Atlas, rasgadas pelas curvas sinuosas de uma estrada que obriga a redobrada atenção. À nossa condução mas em especial à condução dos outros em particular dos camiões que se arrastam ou daqueles que os tentam ultrapassar. Se apreciar não conduza! Preferível parar e apreciar a paisagem relaxadamente.
Seria redutor dizer que Marrakech se resume à Praça Jemaa El-Fna, mas o facto é que esta bate ao ritmo da cidade. Em especial do entardecer à noite, para onde todos convergem levando magia à praça ex-libris da cidade. Num ritual diário e incansável montam-se dezenas de tasquinhas, chegam os artistas de ocasião, malabaristas, encantadores de serpente e feirantes em geral. Todos tomam espaço para vender o seu espectáculo ao turista. Este, quando opta por uma atitude desconfiada acaba por não receber em troca a simpatia dos marroquinos. Acaba a perder!
No ar sente-se o cheio dos fritos e grelhados misturados com o aroma das especiarias. Uma pequena multidão partilha as mesas por entre as dezenas de tasquinhas. Muito comércio, muito turista, muito artista a mostrar as suas habilidades a troco de dinheiro. Fotografar torna-se tarefa complicada e todos querem dinheiro para se deixar fotografar. A tentação de esperteza é grande mas não é justo faze-lo às escondidas para além do resultado ser imprevisível. A troco de uns dirhams todos retribuem com um sorriso para a foto! As lojas vão permanecendo abertas pela noite dentro, até para quem quiser um corte de cabelo à meia-noite!
Na esplanada do Café La Koutoubia, passa-se um bom final de tarde a beber chá de menta enquanto se assiste à movimentação de centenas de pessoas, em ritmo frenético, a partilhar a rua com outros tantos automóveis, motocicletas, bicicletas, todos ao ritmo sincronizado dos semáforos. Do alto do minarete da Mesquita Koutoubia (sec.XXII), ouve-se num cântico arrastado o muezzin a chamar os fiéis para a oração. A nós, para variar, é-nos vedada a entrada.
Inevitável uma visita à Medina. Embora sem a dimensão e carisma da Medina de Fez, vale a pena perdermos um bom par de horas sem nos perdermos. A visitar em especial os souks dos ourives e dos latoeiros. Até os convertidos da FNAC encontram aqui um espaço em versão berbere. Para terminar, nada melhor que uns sumos naturais de laranja feitos na hora e por 3 dirhams sempre sai mais barato que água!